O ASSÉDIO COLETIVO

O Assédio Coletivo é um grupo formado por cerca de 20 produtores e articuladores culturais, cuja sede está localizada em Itararé, Vitória/ES. O coletivo iniciou suas atividades em janeiro de 2012 e, hoje, desenvolve ações que objetivam fortalecer o cenário cultural do Espírito Santo, valorizando a arte autoral, o fazer colaborativo e a ação de outros coletivos e agentes culturais.

Hoje, nossos principais projetos são a Libre - Casa Coletiva, Festival Tarde no Bairro (FTNB), Reviravolta Coletiva, o Bonde e a Temporada de Oficinas. Além de seus membros trabalharem com mobilização e articulação cultural, o grupo atua diretamente com serviços de comunicação (coberturas audiovisuais e produção de conteúdo para difusão cultural), produção cultural e musical (seminários, shows e eventos de linguagens artísticas diversas) e formação (elaboração de metodologias para ações, oficinas de projetos, capacitações e sensibilização).

Para nós, ser coletivo articulador e produtor significa evidenciar, por meio de suas ações e projetos, as possibilidades de transformação das realidades sociais. Acreditamos que as mudanças podem ocorrer por meio da coletividade, das vivências, do compartilhamento, da tolerância, da colaboração e do respeito ao outro. Enquanto grupo, o Assédio Coletivo busca atuar também politicamente e contribuir para o desenvolvimento de agentes culturais e para o fortalecimento de novas organizações por meio do diálogo e compartilhamento de tecnologias e de informações.

MANIFESTO NECESSIDADE E VONTADE

Ao longo da história humana podemos observar o antagonismo entre aqueles que julgam que somos naturalmente adversários e concorrentes e aqueles que julgam que somos naturalmente parceiros e irmãos. Para os primeiros, não importa se é pela mitocôndria evolucionária ou pelo salário nosso de cada dia, é cada um por si e... cada um por si mesmo. Para os outros, tudo tende para o bem porque há uma ordem natural – ou até sobrenatural – que levará a isso. Pois bem, se esse problema fosse solúvel já teria sido resolvido!

Existem outras pessoas – como nós aqui – que consideram que aquelas posições foram, são e serão escolhidas. Que podemos nos unir e construir quando queremos, e que podemos também dizimar e humilhar sem muito esforço. Que a mão que segura a caneta e o detonador são potencialmente a mesma. E o que queremos nós, então? O de sempre: diversão e arte, como cantou o poeta. Queremos poder mostrar o que produzimos com tanto afinco, suor, amor e dedicação. Queremos – e somente isso – poder reunir aqueles que concordam conosco e também querem exibir o que possuem de melhor. Necessidade e vontade.

Certo é, entretanto, que se pretendemos abrir espaços de exibição, tais espaços não existem, ou pelo menos, têm seu acesso restringido. Sim, um lugar tão bom para se viver como Vitória, como o Espírito Santo, tem dificuldades em articular sua produção artística. E nosso propósito não é culpar os políticos, a sociedade, as igrejas, os outros estados, o presidente. Nós culpamos a nós mesmos, ou, pelo menos, reconhecemos nossa parcela de culpa. E é para que possamos fazer nosso “dever de casa” para então partirmos para cobrar dos outros suas respectivas tarefas é que nos lançamos, assim de supetão, com esse sotaque meio punk (Faça você mesmo!), meio filosófico (liberdade e consenso), nesta tarefa de convocarmos todos vocês: é hora de nos engajarmos e abrirmos as portas. Façamos nós mesmos! Se vocês, enquanto produtores artísticos também já sentiram que lhes faltam chances de pôr a julgamento público suas obras, é para vocês mesmo que escrevemos!

É notório, sobretudo nos últimos dez anos, que o desenvolvimento das condições tecnológicas de comunicação e difusão de informação e produtos artísticos tem forçado as velhas estruturas a se repensarem. Insistimos no forçado, pois, como é típico de instituições em queda, a maior parte da indústria da cultura resiste a assumir o próprio ocaso e estende forçosamente o período de crise. De qualquer forma, esta crise desencadeou a busca por novas formas de articular os circuitos de exibição e difusão pelo país – os Coletivos – e esta proposta tem se expandido por inúmeros estados brasileiros e mudando a cara do cenário, com espaços verdadeiramente alternativos. Sentindo que o momento é propício buscamos com esta proposta agregar aqueles que produzem, fruem e querem participar ativamente da vida artística do nosso estado.

Em tempos onde a política reacionária tem buscado novas formas de censura e protecionismo para tentar resistir às mudanças, podemos procurar e produzir nós mesmos tais mudanças, a partir de nossos próprios anseios e possibilidades, de maneira responsável. Isso só pode se dar através do diálogo, da troca de experiências e sugestões, e em um ambiente onde a pretensão seja buscar a coletividade e não a má individualidade. A singularidade de cada um é o ponto de partida para um coletivo estruturado sobre o respeito e a consideração pela diferença. Sejamos as pedras rolantes que se livram do velho limo parasitário da imobilidade – e sejamos humildes: quem não tem nada, não tem nada a perder.

NÓS


Amanda Brommonschenkel

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Cora Made

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Daniel Morelo

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Ernane Batista

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Guilherme Rebêlo

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Isabela Bimbatto

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Juane Vaillant

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Lara Toledo

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Muriel Falcão

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Tati Hauer

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Thais Rodrigues

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