UMA CASA COLETIVA QUE SEJA LIVRE!

09/05/15 - 10h12 NOTÍCIAS ESPECIAIS

Com o intuito de oferecer espaço para conexões e desenvolvimento de atividades e debates relacionados ao fazer colaborativo, a Libre - Casa Coletiva se estabeleceu como o projeto mais ousado articulado pelo Assédio Coletivo. A casa é um centro cultural autônomo multi-linguagem pensado para possibilitar a realização de eventos, vivências e trocas entre os colaboradores dos coletivos que fazem parte dessa ocupação, público das ações e comunidade.

O projeto da Libre - Casa Coletiva surgiu em junho 2013, a partir da necessidade do Assédio Coletivo de ter um local em que pudesse realizar reuniões e ações colaborativas, tornando-se uma realidade a partir de uma parceria inicial com o Coletivo Femenina. Juntas, as duas iniciativas ocuparam um prédio no Centro de Vitória por seis meses. A princípio o espaço foi utilizado para reuniões, festas, e esporadicamente recebia oficinas e atividades de outras iniciativas coletivas.

Dentre os eventos desenvolvidos nessa primeira ocupação da Libre vale lembrar das festas temáticas e da exposição “Expo Javala - Notabilizando Verdeser” em parceria com o Coletivo Expurgação.

Expo Javala - Junho/2013 - Libre Casa - Coletiva. Foto: Isabela Bimbatto

Três meses após o término das atividades da Libre no Centro de Vitória, com a finalização do contrato do imóvel, surgiu a oportunidade de ocupação de um espaço em Itararé, bairro da Poligonal 1, região conhecida como Território do Bem em Vitória/ES. Em seu novo endereço no início de 2014, a Libre foi gestionada conjuntamente pelo Assédio Coletivo e pela OCCa - Organização dos Cineclubes Capixabas, e sua manutenção foi feita a partir da captação e redirecionamento de recursos de projetos dessas iniciativas. Nos primeiros três meses o selo Voadora Records também ocupou uma sala da casa.

Após alguns meses de estruturação e reformas, em agosto do mesmo ano, a casa foi lançada com uma festa que contou com Djs, exibições cineclubistas, um show com a banda “amesa”, uma exposição do artista Kael Kasabian, lançamento do Selo Foi à Feira de Impressões Experimentais, lançamento do Zine VAIBE #1 e lançamento da Revista Maruí #0. Em novembro, a Libre abrigou as desconferências e oficinas da #3 Reviravolta Coletiva, recebendo uma enorme diversidade de agentes culturais e iniciativas coletivas de múltiplas linguagens.

Feira Libre

A partir da #3 Reviravolta Coletiva, as atividades na casa se intensificaram e novas possibilidades passaram a ser exploradas. Nas reuniões que antecederam a construção da agenda integrada da ação, foi organizada uma série de jantares com o intuito de possibilitar a vivência e o debate entre possíveis colaboradores, trazendo o espírito da vivência coletiva para a formulação da Reviravolta. A Libre foi o espaço escolhido para a série de debates sobre diversos assuntos relacionados ao tema da #3 Reviravolta Coletiva: “Ser Coletivo”. Em formato de desconferência e realizados durante a primeira semana da Reviravolta, estes debates trouxeram agentes culturais de diversas cidades para compartilhar das discussões. Durante o período de realização da #3 Reviravolta Coletiva, novembro de 2014, foi realizada a Vivência Libre - uma experiência de espaço compartilhado durante a execução das ações.

Após a Vivência Libre, percebeu-se que a casa e o compartilhamento do espaço foram estratégicos para criar novas conexões com agentes culturais e movimentos sociais. O espaço também propiciou uma série de reorganizações estruturais e políticas do coletivo, especialmente por envolver os indivíduos em uma convivência e divisão do espaço.

No período entre novembro de 2014 e fevereiro de 2015, o espaço recebeu artistas do Paraná, São Paulo, México e Argentina para vivências e residências artísticas colaborativas. O centro cultural é também destinado a formações - como as edições da Temporada de Oficinas, encontros de movimentos sociais e culturais voltados para as juventudes, e eventos - como a Festa Amor Libre, em comemoração aos três anos do Assédio Coletivo.

O momento atual: perspectivas e financiamento colaborativo

Depois de sete meses de ocupação conjunta, a OCCa seguiu novos rumos, e a Libre passou então a ser gerida apenas pelo Assédio Coletivo, que compreendeu que a casa se tornara seu principal projeto. “Nos reunimos no início deste ano para um balanço das nossas ações de 2014 e percebemos a riqueza das experiências propiciadas por este espaço da Libre. As vivências que tivemos com outros grupos, a abertura a novas propostas artísticas. É daqui que saem nossas principais conexões, expressões e propostas de intervenção”, explica Guilherme Rebêlo.

Por se tratar de um centro cultural autônomo, sem financiamento público ou privado, o coletivo gestor da Libre - Casa Coletiva abriu uma campanha para financiamento colaborativo pela plataforma Benfeitoria para a manutenção do espaço por mais um ano. “A perspectiva para 2015 é a ampliação do diálogo com a comunidade e início de desenvolvimento de projetos artísticos e culturais fixos no espaço. Com a viabilidade da casa garantida pelo financiamento colaborativo, podemos concentrar nossos esforços para essa finalidade e pensar em outros tipos de financiamento a longo prazo”, conta Amanda Brommonschenkel.

Os planos e projetos futuros para a Libre são muitos - conseguimos atingir a meta do financiamento colaborativo! “Nos dias 2 e 3 de maio tivemos a primeira edição da Feira Libre. Queremos intensificar as produções no nosso Ateliê e reativar nosso cineclube, o Cine Libre. Além disso começamos a planejar a #4 Reviravolta Coletiva, e temos muitas ideias pra desenvolver junto às comunidades ao redor da casa”, adianta Ernane Batista.

A Libre - Casa Coletiva fica na Avenida Robert Kennedy, 59, em Itararé, Vitória - ES, e é um espaço cultural baseado na colaboratividade. Acompanhe mais atividades pela página do Assédio Coletivo: http://facebook.com/assediocoletivo